O que dizer quando quatro lendas se encontram? Ou quando fãs encontram o ídolo e resolvem trabalhar juntos? Eu estou falando de David Allan Coe, Dimebag, Rex e Vinnie Paul. Dime, Rex e Vinine eram do lendário Pantera, que fazia um Thrash Metal (após o Cowboys From Hell, quando obtiveram a fama) com bastante influência de Hard Core e letras que falavam, entre outras coisas, sobre o cotidiano Sulista. Na outra mão, fazendo um som que nada tinha de Metal, mas era muito malandro, David Allan Coe. David rotulava sua música como Outlaw Music.
O disco chega chutando bundas com a Nothin’ To Lose que começa com um som mais groove, cheio de wah-wah e slaps no baixo e parte para uma base pesada, sólida, proveniente do lado metal. Os versos tem aquela batida seca, rápida do Country e o peso do metal. Perfeita. Uns gemidos de mulher no meio da música dão aquele ar de sacana, pilantragem.
A Rebel Meets Rebel chega num clima totalmente Sulista. É praticamente um Country, envolvente, chega a ser algo até dançante, mas Dimebag, guitarrista versátil, consegue deixar sua assinatura com sua guitarra crua e agressiva. O refrão é contagiante e pesado.
Cowboys Do More Dope começa com piano, aquela coisa bem de barzinho no meio de uma estrada no Tennessee, mas logo o piano divide o espaço com um rock n’roll bem levado, não muito rápido, nem muito lento. Na medida certa. Posso estar sendo repetitivo, mas o fato é que o som é muito envolvente. O solo, principal habilidade do Dime, é maravilhoso, cheio de bends, ele sabia a hora de fazer a coisa certa, na hora certa.
Coma a Panflio certamente lhe virá em mente o México, sul do Texas, aquela região onde a influência mexicana é muito forte. É incrível a capacidade da música te remeter à lugares, à situações. Colada com a Panflio, vem a Heart Worn Highway. Essa música é mais “calma”, muito gostosa de ouvir, onde violões e guitarra compartilham a atenção, com curtos solos de guitarra em diversas partes da música. Poderia servir uma dose de Black Label, se eu tivesse agora no momento. No decorrer da música ela vai ficando mais envolvente, mais agressiva, mais uma vez, solo show.
One Night Stands, é mais pesada e é onde o Rex mostra que também tem um bom controle sobre seu instrumento. O solo é algo a ser citado, pela sua pegada rock n’roll, enquanto a cozinha da banda leva a base de forma fantástica. Essa é a faixa mais rock n’roll do álbum, com certeza.
Depois da porrada da One Night Stands, vem a calmaria da Arizona Rivers. Guitarra com slide, pouca distorção, a sensação é de tranqüilidade. A musica curta, 2:27 minutos, mais parece uma lição de vida do Sr. Coe, e se você ler a letra é uma forma de mensagem aos mais novos. A bateria dá lugar à percusão. Impossível não vir na mente uma cidadezinha pequena e bem ajeitada do Tennessee.
Mas a calmaria dura pouco, pois Get Outta My Life chega chutando bundas. O moderno e o tradicional se encontram. É a voz do Country ditando ao som do rock n’roll. O refrão traz outros vocais que não do David, uma voz gritada dá ao refrão uma outra dimensão. O disco segue firme e forte com a Cherokee Cry, que segue o esquema um acorde pesado de guitarra, aí só voz, baixo e bateria, outra porrada na guitarra, e baixo, voz, batera. Depois do solo entra um som, parece um ritual indígena, ficando a bateria fazendo batuque, como que interagisse com o som da tribo.
A Time é frenética. Talvez isso é tudo que posso falar dela. Rock n’roll, pesado, constante, sem paradas, sem enrolação. Cozinha como sempre forte, vocal que sabe das coisas e guitarra sempre muito característica.
No Compromise começa de forma interessante, pesada e com wah-wah, baixo e bateria dando porradas nos ouvidos enquanto o Mestre Coe vai anunciando qual vai ser a próxima música. O verso é bem interessante, com efeitos na voz de David, que divide o vocal com uma outra voz “eletrônica”. Do nada a música parte para um verdadeiro Hard Core antes de ir para o refrão. Chega a assutar.
E para terminar a obra, N. Y. Streets começa como uma entrevista do David. Depois começa os violões e a guitarra de fundo, com um efeito muito interessante. Essa música tenta – e consegue – recriar um clima bem country das antigas. Fala um pouco da história do Dimebag e do David. Talvez não seja tão legal ouvir essa música sozinha, mas no contexto do disco, cai muito bem.
Rebel Meets Rebel é um projeto que até agora só rendeu esse disco e acho pouco provável que vá render outro, afinal o Dimebag é uma peça insubstituível. Um trabalho muito bom, é notável que a intensão era de se divertir, gravar música por prazer, sem compromisso, sem pressão, apenas uma reunião de bons amigos. Infelizmente Dime deixou a vida muito novo, mas suas obras, sendo esta uma das mais interessantes (na minha opinião) ficarão por aí.
Não falei muito da cozinha da banda, Vinnie e Rex, mas ambos foram impecáveis neste disco, mostraram entrosamento, bom gosto ao comporem suas partes. Vinnie é dono do uma batida muito forte na bateria, Rex sabe fazer as linhas de baixo certas, na hora certa.
Disco pra lá de recomendado. Nota 10.