
Fazia tempo que eu não comentava sobre um disco que eu goste. Sim, pois exceto pelo ao vivo do Whitesnake (que gerou um certo protesto por parte dos fãs e eu me diverti muito lendo), eu normalmente falo de coisas que eu gosto. Enfim, No Respect, primeiro disco do Vain. Eu conheço esse disco desde 2002, aproximadamente, mas por algum motivo ele caiu no esquecimento e recentemente tive o prazer e encontrá-lo. Antes de falarmos do disco, vamos para um pouco de história da banda. Davy Vain, líder da banda, era um cara com certo reconhecimento antes de gravar este disco por produzir bandas de Thrash Metal da Bay Area de San Francisco, Califórnia.
Apesar de ter sido lançado em 1989, o disco não soa datado (entendam que datado não é uma coisa necessariamente ruim neste caso, e em muitas vezes podemos dizer que é um elogio, ao tratar-se de rock and roll), talvez por esse motivo os ex-farofas, agora modernos, ainda considerem esse disco como uma referência. Apesar de ser rotulado como Glam Metal ou Sleaze Glam, a banda não abusa dos velhos clichês, como uma mina gemendo e tentativas vulgares de sexismo, apesar das letras falarem sobre relacionamentos.
Talvez pela experiência como produtor do Davy, a banda consegue apresentar um som sem muitos exageiros, tanto quanto ao peso, quanto a “doseagem pop” que as bandas do gênero apresentavam. E o resultado é bastante equilibrado e agradável. Sinto uma tendência a algo mais sóbrio do que o ritmo “festivo” das bandas da época. Para exemplificar o que digo, ouçam 1000 Degrees e Smoke And Shadows, que não são baladas, mas sim mais lentas, mais “frias”, vamos assim dizer. Até mesmo a balada Without You é bem diferente das famosas baladas da época, pois não traz aquela melodia chorosa, mas sim algo mais triste, meio deprê até. É claro, como todo bom disco de rock n’roll, há espaço para as músicas mais pesadas, mais agitadas, como a Secrets e a Ready que cativam pela simplicidade e levada que com certeza agradaria qualquer apreciador de rock n’roll.
Recomento este disco para qualquer pessoa que goste de um rock n’roll, independente de gostar ou não do “rock farofa”, uma vez que ao meu ver, o Vain conseguiu quebrar as barreiras deste estilo e ir além, fazendo algo mais amplo e atingindo todo mundo (ou quase todo mundo) que curte rock n’roll.